O PÓRTICO
Abre-se, para dentro e para fora, o pórtico.
Abre-se, para dentro e para fora, o pórtico.
É estreita e ambígua a passagem, dispersa
como um beco distraído na avenida:
quem se aventura a ultrapassar o seu umbral,
não sabe ao certo se é o princípio, se é o final
de uma rua antes ou jamais percorrida;
se é um muro sem alcance para o novo,
se é apenas um hiato da memória.
Há holofotes e quilômetros ao redor,
transformando, súbito, em celebridades,
os invisíveis – sem palco, história e talento.
Será o pórtico um pilar de ferro e cimento?
Ou será o caminho magro à revelação,
que só enxergarão aqueles de alma sem óculos?
(poema CARLOS COSTA foto FLAVIO PORTO)
